sábado, 4 de setembro de 2010
Revirando o Baú (I)
Andei,
andei sem rumo.
Caminhei —
caminhei entre um espaço
de cinco segundos,
cinco léguas,
cinco dias.
Meus passos suplicavam pela dianteira
e se adiantavam.
Virei à esquerda
(e continuei virando,
num espaço de cinco palmos)
E vi, então, o telefone
de vários ângulos,
de vários olhos.
Liguei.
O telefone berrou ao meu ouvido
contando-me que ninguém estava
(isso ele me contou
em um espaço de um quilômetro)
Sentei no chão,
e guardei em minha pasta arquivos:
documentos, boletos, pagamentos, depósitos, impostos...
Saí com meus pés.
Andei,
andei sem rumo.
O horizonte sussurrou aos meus olhos:
Um Sol lilás, um dia verde...
Um dia,
uma légua,
um passo,
um palmo,
um segundo...
(todos guardados em meu bolso)
***
Esses dias resolvi mexer em cadernos antigos e encontrei algumas coisas que achei bem legais. Este poema escrevi em abril de 1998, com 14 anos! Agoro me arrependo de ter simplesmente parado de escrever e desenhar com esta idade. Mas, como diz aquele provérbio, nunca é tarde pra recomeçar.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
No Acre, again!
Qual é o problema comigo? É a terceira vez que venho pra Rio Branco e só ontem fui ter a iluminada ideia de comer peixe por aqui. Agora, obviamente, não me perdoo por ter insistido tanto em vaca e frango em plena Amazônia. Ainda mais sendo minha família inteira amazônica.
Na última vez em que estive aqui, postei no blog alguns pensamentos sobre o ambiente geopolítico da região, e lembrei que João Donato é acreano. Desta vez, a trilha sonora da viagem é Joni Mitchel, e meu livro de cabeceira é a biografia do Tim Maia. Acho que por isso estou me sentindo um pouco americanizado.
Mesmo me sentindo assim, cosmopolita, cabeça-aberta, English speaker, viajado e viajante, cada vez mais percebo que é nas cidades pequenas que me sinto mais à vontade. Não nasci na cidade de São Paulo, sou do interior do Estado. E parece que interior é mesmo a minha palavra. Pense em Clarice Lispector: interior ou exterior? Apesar de ter lido apenas um livro de Clarisse, me sinto lispectoriano. Um menino do interior.
Acabo de ser descoberto aqui no hotel. Liguei no restaurante para pedir minha sobremesa (a mesma que comi nos últimos dois dias, neste mesmíssimo quarto), mas a moça insistia: “Nunca servimos sorvete no hotel, senhora”. Fiquei duplamente perplexo. Eu respondi em entonação grave: “Senhor. Eu tomei um sorvete de maracujá ontem e um de chocolate anteontem”. E ela repetia: “Não temos sorvete, senhora. Só temos mousse”. E assim o diálogo se repetiu algumas vezes, até que desisti e pedi que viesse a mousse mesmo. Desliguei o telefone me dobrando de rir e ainda sem entender nada. Ela bateu na porta do quarto e me entregou a sobremesa, dizendo “Viu? É mousse!” e saiu rindo também. Como podia essa pessoa saber tanto de mim?
Mistérios à parte, peço licença pra saborear minha moqueca de filhote. Ou “muqueca”, como veio na nota que assinei. E depois, minha mousse de limão!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Museu Afro Brasil
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Uma morte em três parágrafos
Fiquei surpreso ao chegar em casa um dia desses, meio bêbado, e descobrir que alguma coisa em mim queria morrer. Fui fechar a janela do quarto e esse cara bêbado ficou com vontade de me debruçar na janela pra saltar. Eu falei pra ele: “Você tá louco? Quer se matar, vai sozinho, pode ir. Eu fico.” Fechei a janela, a cortina, e deitei na cama inconformado. Dormi, passou a embriaguez, e o bêbado dormiu também.
Ele acordou outros dias, sóbrio. Eu, sóbrio também, não dava ouvidos. Me fazia de bobo, de surdo. Ele não podia ver uma janelinha, que já vinha me sussurrar, me pedir ao pé do ouvido... Se batia um ventinho bom então, eu quase me deixava seduzir.
Pensei e repensei, conversei com amigos, varei dias matutando sobre aquilo. E cheguei finalmente à conclusão de que tinha que deixá-lo ir. Porque estava velho, não tinha mais o que fazer por aqui. Achei justo. Abri a janela e o empurrei pra fora. Acredita que o safado não caiu? Ele voou!
terça-feira, 20 de julho de 2010
Luiza
domingo, 27 de junho de 2010
Red Hot Chili Peppers + Aranhão





