segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tic, tac...

Tenho escutado por aí – e confesso que também já me peguei falando o mesmo – que estamos sofrendo nos dias de hoje de falta de tempo. Falta tempo para esportes, hobbies, livros, amigos ou mesmo para ficar à toa em casa. Mas o que foi que aconteceu? O que fizeram com o tempo? Nada. O tempo é o mesmo de sempre, apesar de estar provado que, de acordo com a situação, temos a sensação dele passar mais rápido ou mais devagar. Não estamos sofrendo de falta de tempo, mas de facilidade de fazer as coisas. Na era da comunicação, é fácil falar com quem queremos: em segundos mandamos uma mensagem por e-mail, ou alcançamos uma pessoa no celular, onde quer que ela esteja. Então, na verdade, sobra tempo pra fazer o resto! Assim, queremos abraçar o mundo inteiro e fazer tudo. A sensação de falta de tempo é na verdade uma falta de organização e definição de prioridades. O que você quer: Fazer academia? Está fácil; escolha alguns dias da sua semana, escolha uma academia perto de sua casa, e comece. Quer fazer um curso de idiomas? Mesma coisa...Quer namorar? Tire os finais de semana pra fazer isso – apenas isso. Agora, se você sente saudade de não ver o tempo passar, tire horas do seu dia, ou dias do seu final de semana, para não fazer nada. O tempo passa devagar quando fazemos aquilo que gostamos ou se estamos simplesmente contemplando o dia. Mas reclamar de que os dias de hoje estão difíceis, que não temos tempo para nada, é mentira. Os dias de hoje estão fáceis, fáceis demais. Escolha o que é importante para você e você verá a mágica do tempo passar na velocidade certa.

[...]
Odeio os ponteiro que correm se estamos perto

Odeio os ponteiro que param se estamos longe

As horas torturam quem ama

Correndo ou custando a passar

Se o tempo entendesse de amor

Devia parar

(Marino Pinto e Mário Rossi, “Se o Tempo Entendesse”, 1950)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Machado de Assis

"Que é a saudade senão uma ironia do tempo e da fortuna? Veja lá; começo a ficar sentencioso. Trinta anos; mas em verdade, não os parecia. Lembra-se bem que era alta e magra; tinha os olhos como eu então dizia, que pareciam cortados da capa da última noite, mas apesar de noturnos, sem mistérios nem abismos. A voz era brandíssima, um tanto apaulistada, a boca larga, e os dentes, quando ela simplesmente falava, davam-lhe à boca um ar de riso. Ria também, e foram os risos dela, de parceria com os olhos, que me doeram muito durante certo tempo."

*****
Machado de Assis, marco zero da literatura brasileira! Eterna inspiração. Excerto do conto "A desejada das gentes".

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

palavras vomitadas

Almas iridescentes


Eu não entendo
aqueles jovens

comendo lâmpadas como indigentes
cuspindo pétalas incandescentes
inconscientes pelas calçadas

Eu não entendo
esses rapazes

partindo lâmpadas fluorescentes
sobre as cabeças de tanta gente
inutilmente manifestada

Eu não entendo
as crianças violentas
pervertidas pela raiva
delinquentes,
transviadas

Eu não entendo
as crianças-violeta
coloridas, disfarçadas
caindo estúpidas
na calçada

Eu não entendo
essas almas iridescentes
se desprendendo pelas bocas
de crianças doces
martirizadas

Eu não entendo
essas pilhérias indecentes
de adolescentes que
no espelho
são a mesma imagem
duplicada


****
Hoje de manhã, chegando no trabalho, eu vomitei essas palavras. Agora que as vejo na tela do computador, sujando outro lugar, me sinto melhor. Lembranças da Rosa de Hiroshima. E do Brejo da Cruz.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O discurso religioso

Eu me afastei de religiões de uma forma geral em minha vida pela sua escassez de debates que conversassem com meus próprios questionamentos e buscas, e ao mesmo tempo com a problemática e os paradigmas da atualidade. A religião, por ser dogmática, parte do pressuposto de que algumas verdades são imutáveis. Portanto, para aproximar-se dela, é necessário “comprar” um pacote de verdades, que não necessariamente são compatíveis com o conhecimento que acumulamos durante nossas vidas. Pacotes de verdades à parte – pois é possível abstrair ou metaforizar suas mensagens – a religião pode sim desempenhar uma função nobre na sociedade, ao levantar questões éticas e primárias do ser humano enquanto indivíduo e, especialmente, do ser humano enquanto ser social (se é que é possível separar-se completamente uma coisa da outra).
Tudo isso para dizer que hoje me vi contente ao ler um texto na sessão de debates da Folha de S. Paulo, escrito por Francisco Borba Ribeiro Neto*, abrindo uma discussão sobre a fronteira tênue entre o público e o privado e suas implicações na forma em que a política enxerga a religião. Para mim, o texto mostra que a religião possui um talento natural para trabalhar na interface entre questões da alma e questões políticas, da vida prática, sem precisar envolver preceitos que tenham que ser tomados como verdade. Desta forma, o discurso religioso pode passar distante das discussões polêmicas clássicas que já conhecemos. Segue uma seleção dos trechos que achei mais interessantes para refletirmos:

“[...] Religiosidade e crença são grandes formadores da autoconsciência e dos valores morais – marcando nossas posições no mundo, mesmo quando não seguimos os preceitos das igrejas. Ajudam a construir nossa consciência ética individual e coletiva. Desse modo, entram no debate político – o que implica o compromisso com o bem comum, mas não ‘neutralidade’.
“No debate político, a forte oposição ao fator religioso nasce de sua insistência em declarar que público e privado não podem ser separados, como insiste a ideologia moderna. A dominação em nossa sociedade se baseia na crença de que a pessoa tudo pode na vida privada, desde que conforme à ordem pública e ao bem comum.
“Oculta que nossa privacidade é permanentemente invadida e manipulada pelo mercado, pela propaganda, pelas políticas públicas, etc. [...]
“A religião é justamente o espaço em que as éticas privada e pública se encontram, em que o sentido da vida deixa de ser questão individual para ser trabalhado como construção social.
“Por isso, a lógica religiosa questiona e desafia a organização ideal da política moderna, e a presença das igrejas neste cenário – mesmo quando não são fundamentalistas e ajudam na luta pelo bem comum – incomoda tanto. [...]
“A construção do bem comum exige de ambas as partes [religiosos e laicistas] o esforço de se deixar questionar pela outra. A relação entre público e privado é o pano de fundo, pouco expresso, desse debate.”

Concluo fazendo um apelo aos líderes espirituais para que se reciclem e repensem o papel da religião na sociedade. Precisamos de menos verdades e mais referências boas.

*Coordenador de projetos do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Modelo Vivo







Descobri um novo hobby! Vi desenhos da minha irmã de modelos vivos e fiquei com vontade de fazer. Tem no SESC Pompeia duas vezes por mês - eu fui duas vezes com a Carol. Aliás, tenho que agradecê-la pela ajuda com o Photoshop para corrigir os problemas de scanning e para organizar os desenhos em menos documentos (ela é muito safa!) =D